ODS 18 no Brasil: Por que não existe sustentabilidade sem combate ao racismo estrutural?

O combate ao racismo estrutural é indispensável para o alcance do desenvolvimento sustentável.

Luiz Asts

10/16/20263 min read

Quando a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou a Agenda 2030, estruturou o pacto global em torno de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) focados em erradicar a pobreza, proteger o meio ambiente e garantir a prosperidade geral. No entanto, para um país com a formação histórica, demográfica e social do Brasil, ficou evidente que um pilar central precisava de um recorte específico e prioritário: a superação do racismo estrutural.

Foi a partir dessa necessidade que o Brasil assumiu a liderança internacional ao instituir voluntariamente o ODS 18 — Igualdade Étnico-Racial.

Mas afinal, por que o combate às assimetrias de raça e etnia deixou de ser visto apenas como uma pauta setorial para se tornar o coração de todo o desenvolvimento sustentável no país?

O Que É o ODS 18 e Como Ele Nasceu?

Anunciado oficialmente no cenário internacional durante a Assembleia Geral da ONU, o ODS 18 é um objetivo voluntário e pioneiro proposto pelo Governo Brasileiro. Ele busca preencher uma lacuna histórica na Agenda 2030 ao estabelecer metas direcionadas para:

  • Eliminar a discriminação étnico-racial em todas as suas manifestações;

  • Garantir a igualdade de oportunidades e o acesso a direitos fundamentais para populações negras, indígenas e povos tradicionais;

  • Combater a violência letal e o encarceramento desproporcional que afetam historicamente a juventude negra;

  • Assegurar representatividade e participação ativa desses grupos nos espaços de decisão política, econômica e institucional.

Racismo Ambiental e Injustiça Social: Os Dois Lados da Mesma Moeda

A premissa fundamental que sustenta o ODS 18 é simples, mas profunda: não existe desenvolvimento sustentável onde há racismo.

No Brasil, os impactos das degradações ambientais e da falta de infraestrutura urbana não afetam a população de maneira uniforme. O conceito de racismo ambiental reflete justamente como a falta de saneamento básico, a exposição a desastres climáticos, o contágio por poluição e a escassez de água potável atingem majoritariamente as periferias, favelas, territórios quilombolas e aldeias indígenas.

Falar de transição ecológica sem incluir o combate ao racismo é perpetuar desigualdades. Por isso, garantir direitos territoriais, acesso a saneamento e segurança alimentar para todos é a verdadeira chave para fazer o país avançar.

A Arte, a Música e a Conscientização: A Visão de Juscelino Olyveira

Se os relatórios institucionais e os decretos governamentais estabelecem os números e os marcos legais do ODS 18, é através da cultura e da educação que a mensagem ganha vida e transforma mentes.

O cantor, compositor, professor e escritor Juscelino Olyveira coloca a pauta racial e a defesa dos direitos humanos no centro de sua obra. Em seus artigos, canções e palestras-show (como a conhecida apresentação “Agenda 30”), o artista enfatiza que o preconceito e a exclusão são as maiores barreiras para a construção de uma sociedade justa.

Em produções dedicadas ao tema, como na música ODS 18 - IGUALDADE ÉTINICO RACIAL, Juscelino convoca o leitor e o ouvinte a uma reflexão direta sobre a responsabilidade coletiva:

"Vamos derrubar os muros da divisão. Indiginas, pretos e brancos, respeitam a misciginação."

Ao unir a linguagem popular da música ao debate sério dos 17 (agora 18) ODS, Juscelino demonstra que a cidadania plena só é alcançada quando a sociedade civil toma para si o compromisso de combater o preconceito em todas as suas esferas.

Como Começar a Praticar o ODS 18 Hoje?

A implementação da igualdade étnico-racial exige ações públicas, mas também posturas individuais e comunitárias cotidianas:

  1. Educação Antirracista: Consumir e promover a literatura, a arte e o conhecimento produzidos por autores e artistas negros e indígenas.

  2. Combate ao Preconceito Linguístico e Atitudinal: Eliminar expressões e comportamentos racistas do dia a dia no ambiente de trabalho e nas escolas.

  3. Apoio à Economia Local e Periférica: Incentivar empreendedores e projetos culturais que atuam na valorização dos territórios vulneráveis.

  4. Cobrança por Políticas Públicas: Exigir dos gestores locais o cumprimento de metas voltadas ao saneamento, saúde e segurança para as populações marginalizadas.

O ODS 18 não é apenas uma adição numérica à lista da ONU, mas o compromisso moral e ético de que o Brasil não deixará ninguém para trás. Sem eliminar as marcas do racismo estrutural, qualquer avanço econômico ou preservação ambiental será incompleto.

Como aponta Juscelino Olyveira em suas reflexões e produções artísticas:

"O futuro do planeta depende da capacidade de nos reconhecermos como iguais em dignidade e direitos."

Contato

juscelinoolyveira@gmail.com
(11) 98485-1055

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